Lançamento do livro Antúrios: Esquizofrenia e incapacidade para atos da vida civil
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Lançamento do livro Antúrios: Esquizofrenia e incapacidade para atos da vida civil

A Umanos Editora e o escritor Lourembergue Alves vai lançar o romance Antúrios: Esquizofrenia e incapacidade para atos da vida civil. O evento de lançamento acontecerá no Espaço 300 anos do Goiabeiras, no dia 15 de fevereiro de 2020, às 19:00.

Apresentação

Caro (a) leitor (a), apresento-lhe o meu mais novo livro. É mais uma narrativa romanceada. Com esta, agora, já são quatro romances, que se somam a outros, entre os quais um livro de contos e os que versam a respeito do jogo político-eleitoral. O que tens as mãos, intitulado “Antúrios, esquizofrenia e incapacidade para os atos da vida civil”, traz situações vividas por Tânia, a qual se viu forçada, pelos próprios pais e irmãs, a ser Antônio. Protagonista que, ainda criança, fora levada a entrar em uma corrida de 1.000 metros com barreiras. Corrida que parecia não ter fim, ainda que tivesse percorrido um grande trecho, e até os obstáculos, embora alguns deles ultrapassados, aumentavam e avolumavam-se ano após ano, o que dificultavam o seu próprio viver. Dificuldade agigantada. Pois ela estava decidida, desde o princípio, a não permanecer no casulo em que lhe fora imposto pelo nascimento, nem com a pecha que trazia na certidão lavrada e depositada aos cuidados de um cartório, tampouco a vida que achavam que deveria levar.  

Rebeldia não de uma geração para com a outra, mas de gênero, a qual não aparece nos dicionários, embora carregue significado. Ainda que fugidia ou mesmo instável, e tenha a força de múltiplos apelos, uma vez que a identidade do sujeito é construída, e não dada ou acabada. Construída no dia a dia, mesmo diante do policiamento e da censura. Estimulada pela tia Ana, ela seguiu em frente, recuou-se, titubeou-se, e se viu entre as encruzilhadas da solidão, da incompreensão e do preconceito. Preconceito que se materializou em gestos, em palavras ditas e escritas, inclusive, em portas de banheiros das escolas.

Tânia remoeu suas dores. Fechou em si mesma, auto isolou e se silenciou as voltas, quando criança, com “galinha feita de papel” ou, na adolescência, com o Patrick, um parceiro imaginado e com quem manteve diariamente prosa inexistente. Esta era a forma que ela encontrou para não se perder em meio ao redemoinho do isolamento que ela mesma criou ou fora levada a criá-lo, e, ao mesmo tempo, não se deixou levar pelas ondas da exclusão em que se viu jogada, ora pelos pais, ora pelas irmãs e pelos vizinhos. Com a morte da tia, perdeu o seu porto seguro. Tornou-se introvertida, pouco falante e afastada. Oportunidade em que Cenira precisava para convencer Lenice, a mãe de ambas, do real estado de saúde de Tânia. Tanto falou que acabou por convencê-la. E, não só isto, conseguiu fazê-la seguir suas recomendações, repetidas cotidianamente. Levaram-na, então, para um renomado médico-psiquiatra, Ubiraci Machado Baralho, contatado e contratado por Cenira. Depois de dois ou três encontros entre o especialista e a paciente, o laudo, cujo teor colocava Tânia como esquizofrenia paranóide dentro de transtorno de personalidade, o que a diagnosticava como incapaz para os atos da vida civil.

Condição que serviu para Lenice, através de seu advogado, entrar com o pedido de interdição da própria filha. Solicitação aceita. Julgamento antecipado da lide. A interditada entrou com um recurso de apelação civil. O que foi aceito pela Procuradoria-Geral da Justiça, pois era flagrante a violação ao contraditório e a ampla defesa. Nova perícia, com a juntada do laudo pericial aos autos, novo julgamento, e,

uma vez mais, repetiu-se a decisão judicial anterior. Inconformada, Tânia recorreu, e se valeu de todos os recursos que lhe foram possíveis. Perdeu a todos. Mesmo assim, não deu o braço a torcer, ainda que nada mais lhe restasse a fazer.

Coube a mãe a condição de sua curadora. Falecida, Cenira assumiu o papel de representar à interditada. Condição que, ao contrário de reaproximar as duas irmãs, acirrou ainda mais os desentendimentos entre elas. Acusações mútuas. Sempre maiores. E não era para menos, pois estava em jogo a herança deixada por seus pais, pensão por morte, dinheiro e o poder no seio da família, ou do que se restou dela. A prisão e a confissão de um prisioneiro mudaram por completo tal situação. A interdição foi revista. E, por fim, o tão esperado acerto de contas entre as irmãs. Ah!… Agora não. É preferível esperar o momento certo para descrevê-lo. Até lá, caro (a) leitor (a), terás o encontro com Paulo que, atraído por uma imagem, se vê diante de papeladas, anotações e fotografias. Outrora desorganizadas. Juntou-as, organizou-as de acordo com que os fatos se deram, e, desse modo, permitiu que tivessem uma narrativa didática. É isto.          

Esperamos por você no lançamento!

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