Livraria oferece meditação e encontros com escritores para “driblar” a crise

Livraria oferece meditação e encontros com escritores para “driblar” a crise

Em meio à crise das livrarias, com fechamento de lojas e grandes redes em recuperação judicial, o mercado de livros e material escolar deverá crescer 8,6% este ano, movimentando R$ 226 milhões, em Mato Grosso. Em 2018, o valor foi de R$ 208 milhões, conforme dados do IPC Maps. Em Várzea Grande, a livraria Umanos, há um ano, foi inaugurada em um shopping. A empresa começou com uma editora, com o mesmo nome, que já atua no mercado mato-grossense há oito anos e, para se manter em meio a forte tempestade que abala o setor, oferece encontros para meditação e bate-papos com escritores, como forma de aproximação com o público leitor.

Livraria Umanos, para garantir visibilidade, mantém programação diferenciada com rodas de conversa com escritores, leitores, whorkshops e oficinas

Mesmo em meio ao cenário no qual a redução do consumo de livros tem prejudicado a atuação de grandes marcas, a Umanos tem a média de dois lançamentos por mês, além de ter oito livros em fase de editoração, que devem ser lançados até outubro. Para garantir visibilidade, a livraria mantém programação diferenciada, como rodas de conversa com escritores e leitores, whorkshops, oficinas de leitura e até encontro para meditação.

Os sócios empreededores da Umanos relatam que a crise enfrentada pelo mercado editorial foi uma preocupação discutida, há cerca de um ano e meio atrás, quando estavam planejando a inauguração da livraria.

“Questionamos se era um bom momento para abrir uma livraria, porque as empresas estavam fechando. E, até hoje, ainda temos um pouco de receio, porque não é tão simples manter uma livraria, porque não é como uma loja de roupa ou de comida, que as pessoas vão atrás. A livraria tem que se reinventar o tempo todo para que o público se mantenha presente”, pondera Lucas Budoia Mattos, 37, que é um dos sócios e diretor comercial.

Os proprietários relatam que dois momentos foram preocupantes nestes primeiros anos de funcionamento da Umanos, o primeiro foi com o pedido de recuperação da Saraiva, em novembro de 2018, e da Livraria Cultura, em abril deste ano. Acontece que muitas editoras acabaram recolhendo livros das livrarias em razão de questões contratuais. Outro ponto crítico ocorreu com inauguração da Saraiva, em um shopping de Cuiabá. Com a expectativa gerada pela nova loja, os clientes acabaram segurando as compras, mas logo o movimento voltou à normalidade.

Neliton Gois, 33, também é sócio e diretor de marketing, e avalia que, entre os diferenciais da livraria e editora, está a aproximação promovida entre escritores e leitores. “Quisemos abrir a livraria também para que escritores com livros menos vistos possam lucrar com sua obra. O escritor independente não consegue colocar os livros em uma livraria, porque muitas vezes só tem um livro, não tem um catálogo de venda, a negociação é dificultada, porque é muito comercial. O escritor local vem para um bate papo na loja. Em nossa programação temos encontros com os escritores todo primeiro sábado do mês”, pondera Neliton.

Bate papo_livrariaUma das rodas de bate papo realizadas pela livraria Umanos, que tem agenda diferenciada

Por Vinícius Bruno

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